RENÚNCIA E CRUZ

por Roberto Carlos

O QUE SIGNIFICA SEGUIR A JESUS?

Seguir a Jesus, é mais do que crer que Ele exista. É mais do que tornar-se um "cristão". Seguir a Jesus é adotar o mesmo estilo de vida que Ele adotou. Seguir a Jesus, é viver como ele viveu, andar como ele andou, amar como ele amou, servir como ele serviu, perdoar como ele perdoou e pregar ao mundo assim como ele pregou. Seguir a Jesus é viver debaixo do governo de Deus e fazer a Sua vontade. Ele disse: "Minha comida e minha bebida é fazer a vontade daquele que me enviou e completar a Sua obra". Leiamos Lucas 9.23.

"E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me."

Quando lemos este texto e outros semelhantes a este, observamos que Jesus estabeleceu condições para quem quer seguí-lo. Jesus é o único mestre que determina o tipo de discípulo que deve seguí-lo. Não podemos seguir a Jesus da forma como acharmos melhor. Temos que cumprir com as condições que Ele mesmo estabeleceu para aqueles que quisessem seguí-lo. Vamos ler o texto novamente: "E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me." Numa outra tradução lemos: "... a si mesmo se negue, e dia a dia tome a sua cruz e me siga".

Vemos aqui duas condições: Negar-se a si mesmo e tomar a cruz dia a dia. Parece-nos, aparentemente, que estas duas condições dizem a mesma coisa.. Muitos de nós pode pensar que negar-se a si mesmo e tomar a cruz é a mesma coisa. Alguns chegam a afirmar assim: "Você deve negar-se a si mesmo, ou seja, tem que tomar a cruz", ou ainda, "Rapaz, você tem que tomar a cruz, tem que negar-se a si mesmo". Afinal de contas, é a mesma coisa ou não? Não, não é a mesma coisa.

A primeira condição é a porta de entrada no reino de Deus, e a segunda condição é o caminho por onde temos que andar. Deve ser assim pois, quando alguém se converte, ela assume o compromisso de viver assim. E se não houver essa conscientização, se não houver essa clareza de entendimento, a caminhada pode se tornar difícil e muitos não resistirão.

Amados, há alguns anos atrás o Senhor trouxe clareza a mim sobre isto, e quero compartilhar com vocês aquilo que o Senhor me revelou.

O QUE É NEGAR-SE A SI MESMO?

Negar-se a si mesmo é a condição mais difícil que podemos imaginar. É a maior barreira a ser ultrapassada por alguém. É o maior obstáculo para aquele que deseja seguir a Jesus. Negar-se a si mesmo é a decisão que alguém toma de abrir mão de todos os seus direitos pessoais. É o abrir mão de todos os seus valores. Negar-se a si mesmo é renunciar a tudo quanto se é e a tudo quanto se possui. E isso é fácil de se fazer? Alguém faz isso com alegria? É algo que alguém faça com prazer? Não! Não é fácil negar-se a si mesmo. O preço para isso é alto e custa toda a vida do homem. Uma outra expressão que usamos para explicar o que é o negar-se a si mesmo é: Arrependimento.

Arrependimento é uma mudança de atitude interior. Então podemos então dizer que negar-se a si mesmo, é o próprio arrependimento. Quando Jesus diz: "Arrependei-vos..." é o mesmo que dizer: "Negue-se a si mesmo". Jesus usou uma outra expressão tão forte quanto estas, Ele disse: "Se alguém vier após mim e não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo" - Lc 14.33.

A expressão é: RENÚNCIA

Renúncia, negar-se a si mesmo, arrependimento, é uma decisão. Mas a atitude de coração que leva alguém a fazer isso, a Bíblia chama de: Mansidão. Mansidão é a atitude de alguém que abriu mão de todos os seus direitos. Jesus disse: "Os mansos herdarão a terra" (Mt 5.5). Também recomendou: "Aprendei de mim que sou manso..." Mt 11.29. Portanto, meus amados irmãos, NEGAR-SE A SI MESMO é o mesmo que: ARREPENDIMENTO, RENÚNCIA.

Ao contrário disso, a expressão mais usada no mundo é: "Eu também tenho meus direitos, eu também sou filho de Deus, essas coisas são minhas, é meu nome que está em jogo, é a minha profissão, são os meus recursos". Até que um dia Jesus vem e diz: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo..." Mas como é isso? Quer dizer que eu não tenho direitos? Não, não quer dizer isto. Isto quer dizer que você tem direitos, mas que, para seguir a Jesus terá que abrir mão deles. Como é? Pra seguir a Jesus eu tenho que renunciar meus direitos?

Uau!!! Isso não é fácil! Você poderia dizer: "Eu não tenho sangue de barata". Não, não mesmo, mas você tem sangue de Adão! Todos os homens são assim, é por isso que Jesus estabeleceu condições para aqueles que vão seguí-lo.

Mas renunciar não é tudo. Isto é só um lado da moeda. Você tão somente negou-se a si mesmo. Apenas renunciou seus direitos. Mas isto é só a primeira parte da condição para seguir a Jesus. A segunda parte é tomar a cruz. E esta é a melhor parte.

Mas, se renúncia é algo tão difícil de se praticar, se negar-se a si mesmo é a maior barreira que temos que ultrapassar, o que dizer então de tomar a cruz todos os dias? Afinal de contas o que é esse: Tome a sua CRUZ cada dia?

O QUE É TOMAR A CRUZ CADA DIA?

Em primeiro lugar vamos ver o que não é cruz. Vamos desmistificar o significado da palavra CRUZ.

Muitos irmãos têm um conceito completamente errado sobre o que seja a CRUZ. Ela sempre nos foi apresentada como símbolo de sofrimento, angústia e dor. Também sempre foi traduzida como símbolo de morte. Alguns usam-na como amuleto de fé e até mesmo como objeto de decoração. Outros a usam como sinônimo de uma vida difícil e penosa. Vocês já devem ter ouvido alguém dizer assim: "Ah! meu amigo, minha vida está muito difícil, eu estou carregando uma cruz...". Outros pedem oração assim: "Ah! meu irmão, ore por mim porque estou passando por uma situação financeira apertada. Minha cruz está muito pesada". Foi o caso de uma irmã cujo filho estava envolvido com drogas e pedia a Deus que o libertasse para que ela fosse aliviada da sua cruz. Outra dizia que sua cruz era seu marido incrédulo e alcoólatra. Eu me lembro de uma irmã que insistia com Deus para que seu marido se convertesse, pois do jeito que ele a tratava era uma cruz muito pesada. Ela estava mais interessada em se livrar a "sua cruz" do que com a conversão do marido, realmente. Alguns acham que a cruz é um destino e dizem: Meu destino é carregar esse ou aquele problema.

Mas vejam bem, se cruz fosse uma vida difícil, um filho drogado, um marido incrédulo e alcoólatra, uma situação financeira apertada, então não poderíamos orar pedindo a Deus que nos alivie desses infortúnios, porque assim não poderíamos seguir a Jesus. Se Jesus diz que para seguí-lo eu tenho que tomar a minha cruz todos os dias, como é que eu posso orar pedindo pra que Ele me alivie dessa cruz? Se uma irmã acha que seu marido incrédulo é a cruz, e se ele vier a morrer, então ela deixará de seguir a Jesus, ou terá que arrumar outro marido incrédulo. Porque Jesus disse que para seguí-lo cada um deveria tomar a sua cruz todos os dias. Um filho drogado é um filho drogado, nada mais que isso. Um marido incrédulo é um marido incrédulo. Mas cruz é outra coisa.

A cruz não é feia como alguns pintam. Não é assustadora, terrível e má como outros imaginam. A cruz é a coisa mais linda que pode existir na nossa caminhada com Jesus. A cruz é a porta da glória. A cruz é o trampolim para uma vida vitoriosa. A cruz é como se fosse uma rosa perfumada.

Entretanto, a Cruz sem a renúncia é realmente dolorosa, insuportável. Uma cruz sem renúncia pode produzir a morte, mas jamais haverá ressurreição para a vida.

A Cruz a que Jesus se refere não é aquela que ele teria que enfrentar no calvário. A cruz a que ele se refere é uma rendição completa ao governo de Deus e fazer a Sua vontade. É uma vida presa à vida de Cristo. Paulo disse: "Estou crucificado com Cristo e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim. E a vida que vivo na carne, vivo pela fé no Filho de Deus" Gl 2.20. Podemos declarar como o apóstolo: "O justo viverá pela fé"

E o que é fé? Fé é CRUZ. Fé é uma rendição à vontade de Deus. Fé, é viver no Espírito. Fé é humildade. Humildade é uma entrega incondicional de nossa vida ao governo de Deus. Fé é cruz. Cruz é uma rendição total.

Quando Renunciamos, deixamos de governar nossa vida. Quando tomamos a Cruz, deixamos Deus governar a nossa vida.

QUEM É QUE PODE ENXERGAR A CRUZ DESSA FORMA?

Somente aquele que negou-se a si mesmo. Somente alguém que renunciou o direito de governar a sua própria vida. Somente alguém que disse, "eu não quero mais ser dono de mim mesmo" é quem pode enxergar a cruz como uma benção na sua vida.

Mas na prática, no dia a dia, como é que isso acontece? Como é que podemos entender melhor essas duas condições para seguir a Jesus?

Quando lemos o sermão do monte, encontramos Jesus falando com os seus discípulos diante de uma grande multidão. Das muitas coisas que ele ensinou, algumas nos chamam a atenção sobre este aspecto. As expressões de Jesus, "disseram aos antigos, eu porém vos digo" parecem uma contradição. Parece que ele está indo contra a lei de Moisés.

Moisés trouxe a lei moral para a humanidade e todos sabemos quais são esses mandamentos. Esses mandamentos foram dados para toda a humanidade, de todos lugares, de todos os tempos. São mandamentos que facultam direitos pessoais num mundo onde impera a independência e o egoísmo. Esses mandamentos regulam os homens para que não haja injustiça e desigualdade. O mesmo mandamento que diz para mim, "não matarás", diz o mesmo também para você. O mandamento que me impede de matá-lo, é o mesmo que me defende de ser morto por você. É um direito do ser humano para preservar a vida e a vida dos meus semelhantes.. São direitos legais. São direitos lícitos. E os mandamentos corretos. Como disse Paulo aos Romanos, "são santos e bons".

RENÚNCIA X CRUZ

Olhemos alguns exemplos onde fica mas claro a diferença entre renúncia e cruz.

Quando alguém te amaldiçoar e você não revidar, ou seja, não amaldiçoá-lo também, você renunciou. Mas se você o abençoar, você tomou a cruz.

Outro exemplo: Alguém lhe bate numa face, você renuncia o direito de bater de revidar e bater em sua face. Isto é renúncia. Mas você tem que tomar a cruz, então você oferece a outra face. Isto é tomar a cruz.

Outro exemplo ainda: Alguém lhe obriga a caminhar um quilômetro, você não questiona nem reivindica nada e nem murmura contra. Isto é renúncia. Você toma a cruz e, ao invés de caminhar um quilômetro você caminha dois quilômetros.

Só mais um exemplo: Muitos perdoam as pessoas somente quando elas pedem perdão ou reconhecem que erraram. Isto é renúncia.

Mas o discípulo, toma a cruz cada dia e perdoa sempre que alguém erra, mesmo que ela nunca peça perdão ou não reconheça que errou.

A lei de Moisés é moral e universal, mas não produz vida. A lei é um instrumento de Deus que nos leva a tomar a cruz. Somente a cruz produz vida.

O jovem rico queria vida eterna e cumpria todos os mandamentos, mas não cumpriu o mandamento da cruz, ou seja, fazer a vontade de Deus.

A Renúncia me leva a rejeitar uma pessoa: Eu Mesmo. A Cruz me leva a receber outra pessoa: Jesus Cristo.

Viu a diferença? Quando teus direitos são violados, você sofre involuntariamente, mas quando você toma a cruz e faz o oposto, você o faz voluntariamente porque já não manda mais em você mesmo. Deus governa a sua vida. Essa é a diferença. A essa atitude a Bíblia chama de : Humildade. Você foi humilde. Você fez exatamente o que Jesus faria no teu lugar.

Agora você pode entender o que Jesus queria dizer quando disse: "Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim que sou Manso e Humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas" Mt 11.29. Você quer descanso? Quer paz? Quer felicidade? Siga a Jesus. E o que é necessário para isto? Negue-se a si mesmo e, cada dia, todos os dias, tome a sua cruz e siga a Jesus.

QUAL É O MANDAMENTO DA CRUZ?

Certo doutor da lei. Interrogando a Jesus para o experimentar, perguntou: "Mestre, qual é o grande mandamento na lei?" E Jesus disse-lhe: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas" Mt 22.37-40

Vemos aqui que Deus exige do homem um amor ilimitado porém, impossível ser praticado. Ninguém pode amar a Deus dessa forma a não ser que renuncie sua própria vida. E coloca um limite no amor que o homem deve ter por seu semelhante, pois o mesmo não tem condição interior para amar além do amor que tem por si mesmo.

Mas qual seria a resposta se um discípulo fizesse essa mesma pergunta? Eu imagino que Jesus diria: "Disseram aos antigos: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo", eu porém vos digo: "Novo Mandamento vos dou que vos ameis uns aos outros assim como eu vos amei. Nisto, todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros". Este é o mandamento da cruz. O limite deste mandamento não é: "assim como você se ama", mas sim, "como Jesus nos amou".

QUAL É O ALVO DAQUELE QUE DESEJA SEGUIR A JESUS?

Paulo escreveu aos Filipenses e disse:

"Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, antes a si mesmo se esvaziou assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz" Fp 2.5-8.

Jesus também entrou pela mesma porta e andou pelo mesmo caminho que cada um de nós tem que entrar e andar. Paulo nos exorta a seguir seu exemplo afim de que tenhamos o mesmo sentimento.

Ele é Deus. Jesus sempre foi Deus. Ele não usurpou essa condição de ninguém. O apóstolo João disse:

"No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele e sem ele, nada do que foi feito se fez" Jo 1.1-3.

Ele é o que sempre foi: DEUS.

Todavia, mesmo sendo Deus, ele não considerou que esse fato fosse algo que não pudesse abrir mão. Ele renunciou o seu direito de Deus. Ele esvaziou-se de si mesmo.

Negou-se a si mesmo, e assumiu a forma humana. É pouco? Imagine você, se de repente você se transformasse numa barata asquerosa, fedida, imunda. Imagine-se com aquelas anteninhas se mexendo prá lá e pra cá. Agora imagine você querendo ser essa barata, voluntariamente. Pois saiba que isso é nada perto do que Jesus fez. Se tornar um de nós, foi mais humilhante do que qualquer humilhação que qualquer um de nós pode passar.

E esta não a única renuncia que Ele teve que fazer. Mesmo na condição humana, desceu mais um degrau em sua renúncia e abriu mão do direito de ser homem, tornando-se escravo dos homens. No dia da ceia, por ocasião da Páscoa quando Jesus estava com os seus discípulos, aconteceu algo fantástico. Era comum antes das refeições que um escravo lavasse os pés dos presentes. Era um serviço dos mais humilhantes. Jesus então, desvestiu-se da roupa de homem, cingiu-se com uma toalha de escravo e foi lavar os pés de seus discípulos. Não era só uma questão de fazer o serviço de escravo, mas sim de se considerar um escravo, aceitar essa condição. Tanto é que, Pedro não entendeu o que Jesus estava fazendo. Se fosse outro escravo, provavelmente Pedro não só aceitaria que lavassem seus pés, como se sentiria orgulhoso de ter um escravo aos seus pés. Mas Jesus fazendo isso, ele não esperava. Para Jesus, entretanto, era uma questão de justiça.

Amados, mas nem este episódio foi a última renuncia de Jesus. Será que havia mais? Sim amados, Jesus foi mais à fundo.

Eu não entendia Isaías 53.3-5 até que o Senhor me fez ver a Jesus no jardim do Getsêmani. O cenário que se formou alí era um dos mais negros da história do cristianismo.

Mais negro que a própria cena da crucificação. Alí, Jesus desceu ao mais fundo de sua renuncia. Depois de lavar os pés dos discípulos, ele passou a consolá-los. Disse palavras de ânimo e esperança. Em seguida levantou os olhos aos céus e disse: "Pai, é chegada a hora, glorifica a teu filho, para que o teu filho te glorifique a ti", e seguiu orando por aqueles discípulos e por todos nós que no futuro seriam seus discípulos também. Logo em seguida, saiu com os discípulos e foram ao jardim. Alí chegando, chamou a Pedro, Tiago e João à parte e disse: "Minha alma está profundamente triste até a morte". Aqui eu entendi o que Paulo disse: "Ele foi obediente até a morte..." E adiantando-se, prostrou-se em terra e travou a sua maior batalha pessoal.

A ÚLTIMA BATALHA PESSOAL DE Jesus

Que batalha foi essa? Poderia haver algo maior do que a cruz que ele iria enfrentar? Estaria ele com medo daquela cruz? Não, não amados. A batalha era outra. Ele estava alí, sozinho. Até aquele momento ele tinha trilhado um caminho penoso, mas cheio de honras. Um Deus se tornando homem? Nós o adoramos por isso! Um homem se tornando escravo voluntariamente? Nós o admiramos e o louvamos por seu altruísmo, por sua mansidão. Mas agora, ele teria que assumir a pior das condições. Paulo traduziu esse quadro numa frase: "Aquele que não conheceu o pecado, Deus o fez pecado por nós..." I Co 5.21. Ele teve que abrir mão do que era mais puro, mais lindo, mais maravilhoso. Ele teve que abrir mão de sua santidade, de sua pureza, de sua justiça. Isaías viu esse quadro e quebrantado disse:

"Verdadeiramente Ele tomou sobre si as nossas dores, e levou sobre si as nossas enfermidades, e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades" Is 53.5-6.

Querido irmãos, naquele momento alí no jardim Jesus se expôs à mais terrível humilhação. Era como se labaredas do inferno jogassem sobre ele acusações de coisas que ele nunca havia cometido. Era como se dissessem para ele, você é um ladrão, um mentiroso, um impuro... mas ele não reivindicou nada. Teve que aceitar tudo aquilo calado. Era uma injustiça? Sim, era. Mas ele foi obediente até a morte. Ele tão somente orou ao pai e disse: "Pai, não é possível que passe de mim esse cálice sem que eu o beba?" "Pai, não é possível que eu morra sem que eu tenha que passar por isto". E sabe o que o pai respondeu? Nada!

Absolutamente nada! O Pai virou as costas para seu único filho. Seu amado filho. Numa outra ocasião vimos Jesus orando ao Pai e dizendo: "Pai, eu sei que sempre me ouves". Mas naquele momento o Pai não pode responder aquela oração. Alí estava ocorrendo uma metamorfose espiritual ao inverso, o ser mais puro do universo, mais santo, mais perfeito, estava assumindo a forma do ser mais horrendo, mais repugnante. Estava se transformando numa massa de pecado. Estava assumindo o pecado de cada um de nós. Os meus pecados, estavam sobre ele. Ele estava sendo moído, quebrado e se desfigurava na medida em que assumia as transgressões do homem. Era um homem de dores.

A Palavra diz que ele se amargurou tanto que seus poros se dilataram e ele passou a suar gotas de sangue. O seu sofrimento foi tanto que ele sentia dores profundas. Por três vezes ele teve que passar pelo vale da sombra da morte. E em todas as vezes orou ao Pai sem que obtivesse resposta. Mas em todas as vezes disse; "Pai, seja feita a tua vontade e não a minha".

Amados, antes de morrer por mim, antes de morrer por você, Jesus teve que morrer pra ele mesmo. Teve que renunciar a si mesmo. Teve que abrir mão de todos os seus direitos pessoais. E, voluntariamente tomou a sua cruz, antes de carregar a cruz da humanidade.

Jesus então foi levado à presença do sumo sacerdote e em seguida a Pilatos. Pilatos podia soltá-lo, mas para isso Jesus teria que negar as acusações que faziam contra ele. Jesus não negou nada e nem fugiu da cruz. Pilatos quis soltá-lo e fez perguntas a Jesus e ele recusava a respondê-las. Pilatos então disse: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado" Jo 19.10-11.

Assim, Jesus foi conduzido ao calvário. Alí, colocaram-no na cruz enquanto os homens escarneciam dele, zombavam e diziam impropérios. Ele simplesmente dizia ao Pai: "Pai, perdoa-lhes porque eles não sabem o que estão fazendo". Na verdade eles estavam mandando Jesus de volta para o lugar de onde tinha vindo. Alí, mesmo na cruz, ele ainda olha para um dos ladrões que está ao seu lado e diz: "Hoje mesmo estarás comigo no paraíso".

Fico imaginando todos os santos que haviam morrido antes daquele dia, Davi, Moisés, Abraão, e todos os anjos, arcanjos e querubins numa verdadeira "torcida animada" dizendo: "Vai Jesus, você consegue, vá em frente. Não desista!". Finalmente, dá um grito de vitória quando ultrapassa a linha de chegada. Um grito que de quem passou por todos os obstáculos e diz: "Está consumado"! Está feito! Acabou! Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito!"

JESUS CRISTO É O SENHOR

Naquele momento, o universo todo entrou em convulsão. Até mesmo alguns santos que haviam morrido antes, foram ressuscitados (Mt 27.52-53). Houve uma revolução no céu, na terra e no inferno.

Jesus desceu às profundezas da terra e arranca das mãos de Satanás as chaves do inferno e da morte. Ao terceiro dia ele ressuscita e quarenta dias depois reúne seus discípulos e diz: "Agora, toda a autoridade me é dada no céu e na terra..." e diante dos olhos de mais de quinhentas pessoas ele foi elevado às alturas. Eu fico imaginando agora os anjos, arcanjos e querubins, e todos os que morreram antes de Cristo em grande festa. Fico imaginando o Pai, em pé dizendo: "Vem meu filho amado. Assenta-te à minha direita até que ponha todos os teus inimigos debaixo dos teus pés. Vem meu filho assenta-te à minha direita... até que se restaurem todas as coisas".

Imagino ainda, lendo o texto de Paulo aos Filipenses, o Pai dizendo: "Meu filho, porque você renunciou o seu direito de Deus e tornou-se homem, sendo homem renunciou esse direito e assumiu a forma de servo, sendo servo, renunciou esse direito e foi obediente até a morte e porque tomaste a cruz, meu filho eu lhe darei um nome, que está acima de todo nome, você que já era chamado de Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da Paz, Emanuel, Leão da tribo de Judá, raiz de Davi, agora lhe dou um outro nome, um nome que é sobre todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra, e debaixo da terra. E toda língua confesse que JESUS CRISTO É O SENHOR. Para a minha glória!".

"Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus..." Fp 2.5

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